A união entre o Brasil e a China tem se tornado cada vez mais forte nos últimos anos. Uma prova disso, são os inúmeros eventos que trazem um pouco da extensa cultura chinesa para o Brasil. A instituição Confúcio, que fica na UNESP Barra-funda em São Paulo, promove muitos desses eventos, e um deles reúne estudantes da universidade de Hubei, na China, para se apresentar no Brasil.
Após uma longa introdução do que seria apresentado naquela noite e os agradecimentos dos diretores da UNESP, da instituição, da universidade de Hubei, entre outros colaboradores, das quais alguns precisaram de tradução simultânea, o show começa. A apresentadora, que fala em português, mas com típico sotaque chinês, convida os alunos brasileiros a cantarem uma música em chinês. Apesar dos aplausos, pude perceber a expressão de apreensão estampada no rosto da platéia. Eles, provavelmente, se perguntavam o mesmo que eu: “será que o show vai ser assim até o final?”
A incrível apresentação da “Dança do Dragão” acabou com essa dúvida. A partir dela, todas as apresentações foram ótimas. Um cantor chinês impressionou a platéia ao se revelar um tenor de um metro e meio. Sua voz grave ecoou pelo salão tanto em chinês quanto em português, ao cantar “Se Essa Rua Fosse Minha”. As apresentações de Wushu, porém, deixaram a desejar, pelo menos para aqueles que já assistiram inúmeros campeonatos de Kung-fu como eu e minha irmã. Entretanto, muitos pareciam impressionados com os saltos acrobáticos dos atletas. As apresentações de Tai chi e dança chinesa impressionaram em sincronia, estética e ritmo. Uma poesia foi escrita em palco, enquanto um músico tocava pipa, instrumento típico chinês.

A “Dança do Leão”, apresentada por último, fechou a noite com “chave de ouro”. A dança típica, muito praticada por atletas de Wushu, rendeu a ida até o anfiteatro. A dança consiste na performance em conjunto de dois atletas, um age como a parte da frente do leão, ou seja, a cabeça e as patas dianteiras, enquanto o outro representa o corpo e as patas traseiras. Com a fantasia tradicional e a coreografia muito bem ensaiada, os artistas fazem o público acreditar na criatura que eles formam. A cabeça do leão, feita de madeira e tecidos, possui diversos mecanismos, inclusive para abrir a boca e piscar os olhos. Dois desses animais carismáticos foram ao palco, e até à platéia, junto com o “domador” que os guia.
As apresentações em geral não deixaram a desejar, mostrando a cultura chinesa em vários aspectos, como a dança, a arte marcial, a poesia e a música. A interação com o público era constante, ora com as perguntas da apresentadora, ora com os artistas servindo chá ou dando a chance para as crianças brincarem com as fantasias. Recomendo a qualquer pessoa que tiver a oportunidade de assistir aos artistas da universidade de Hubei que não perca essa chance de ouro.