A Força dos Yantras

Yantra esculpido no verso de uma escultura de arte sacra, de minha autoria

Desde a primeira vez que vi um yantra, me senti atraída e com muita curiosidade a seu respeito. Senti neles um grande poder de expressão. Comecei a estudá-los e logo começaram a fazer parte dos meus trabalhos.
O yantra é uma construção mágica. Um desenho criado para sustentar um espaço mítico. Neste espaço é possível sentir a presença de uma divindade. Para isto, basta estarmos abertos.
Cada yantra nos apresenta um mundo sutil e grandioso. Costumo construí-los de fora para dentro. Conforme chego mais perto do seu centro, me encontro mais concentrada e sentindo mais a sua força.
Durante a realização de cada um, pude perceber algumas características destas forças da natureza. Me impressionam e me causam grande admiração, por exemplo, seus poderes com relação a decisão e construção. Eles me passam muita segurança, praticidade e confiança. Sâo aspectos de minha vida que foram fortalecidos quando passei a utilizar os yantras em minhas obras.
A cultura hindu mostra este profundo conhecimento, nos apresentando as diversas divindades relacionadas ao yantra através de narrativas que revelam para nós sua natureza com muita poesia e criatividade.

A Fada

Fadas são representadas frequentemente nas artes. Aparecem na dança, na música, na poesia, na pintura, e em outras formas de expressão da Arte. É um de meus temas prediletos, como se pode ver na imagem ao lado, que retrata um trecho de um de meus trabalhos com arte digital. Para mim a fada é uma criatura sublime e liberta. É invisível aos nossos olhos por ser uma essência da vida. Ela está sempre celebrando a Natureza e a vida, como numa dança amorosa e alegre.

Acredito que uma fada possui poderes mágicos. Através do coração ela usa um poder transformador para fazer surgir algo que estejamos desejando. E também através do coração é que podemos contatá-las e senti-las. Por não ter uma forma, podem se manifestar onde e como queiram, até mesmo em nós, seres humanos – como uma atitude ou um “insight”.

Elas se manifestam onde há vida pura e divina, pois são protetoras do bem e do amor. Um bom coração as atrai, faz com que elas se sintam bem e compartilhem seu entusiasmo. Elas dão forma e colorem ainda mais o ambiente projetando seu brilho vital.

Através de sua vibração, criam calor e magia. E por se encontrarem no coração sua magia é verdadeira, da natureza do bem. Realizam aspirações do nosso ser mais profundo, como também dos outros seres da natureza.

Sua existência é uma dança contínua, imperecível e eterna. Podem ser encontradas em meio à vegetação, na água, ou em outros locais que concentram vitalidade e movimento. Conforme acreditamos nelas e nos identificamos com elas, se fazem perceber com maior facilidade, podendo até mesmo se integrar ao nosso dia a dia, passando a fazer parte da nossa vida.

Eu acredito nas fadas, e você?

 

 

A luz na arte sacra

Você já reparou como são luminosas as imagens representadas na arte sacra? Presente em vitrais e pinturas, mas também sugerida na escultura, a luz intensa expressa bem a força e o caráter benigno que queremos perceber nas figurações religiosas. A visão do sagrado depende da fé de cada um, mas há certas forças em nossa mente que, movidas por estímulos estéticos, evocam a experiência espiritual em nosso íntimo.

Muitos sentimentos religiosos são gerados pela visão do sagrado e nos levam para dentro do nosso coração. Ser fiel ao coração nos faz estar no centro de nosso ser, permitindo-nos o bem estar produzido pela própria presença divina. Isso nos conduz naturalmente a uma atitude amorosa em relação a cada criatura e à Natureza, o que nos leva em direção a Deus. Encontramos Deus vivendo nossa vida com dignidade e consciência, respeitando nossos sentimentos e expressando-os com liberdade.

A luz simboliza a vida, a pureza da própria Natureza. Ela se manifesta na arte sacra como expressão da fé no divino. Imagens cheias de luz elevam nosso espírito, que se lança em busca de um sentido verdadeiro para a nossa vida. A presença da luz numa obra que retrata o sagrado dá a ela uma dimensão transcendental. Um artista habilidoso no trato com a luz consegue transmitir muita força espiritual. Veja, por exemplo, a força expressiva dessa madona em vitral, presente na Igreja dos Jerônimos, em Lisboa (Belém).

Um outro exemplo de maestria no uso da luz, agora na pintura, é o italiano Tiziano Vecellio (1489-1576), renascentista veneziano que plasmou no óleo muitas cenas do credo cristão. O quadro que reproduzimos aqui está na cidade de Nápolis, Igreja de São Domingos Maior, e se chama “Anunciação”, tendo sido pintado por volta de 1557. Repare como ele utiliza a luz que surge do Céu, rasgando as nuvens, como que desejando abrir o espírito para uma tomada de consciência. A luz, que surge elevada ao centro do quadro é corporificada pelo Espírito Santo, e ilumina a Virgem, símbolo maior da consciência do coração dentro da iconografia Cristã. O resultado é de um esplendor tocante.

Além do aspecto emblemático da luz, enquanto elemento simbólico, ela também desempenha a tarefa importantíssima de guiar o olhar para o ponto mais significativo da peça – a própria figura da Virgem. O momento é solene e sagrado, quando o mensageiro divino anuncia para Maria o seu papel de Mãe Divina. A consciência da importância desse momento, que ela demonstra com seu gesto, que expressa humildade e aceitação perante a vontade de Deus, é transportada diretamente para a alma de quem, tocado pela fé, vê essa obra.

Mesmo sem ser um artista plástico, você também pode trazer um pouco mais de luz para sua vida, transformando-a numa verdadeira obra de arte sacra. Basta abrir bem seus olhos para o que é verdadeiro e benigno, e dar as costas às trevas dos falsos sentimentos, que tentam ocultar a luz de sua vida. E lembre-se sempre que a verdadeira luz vem diretamente do seu coração, e ilumina o mundo com palavras, pensamentos e atitudes.

Sentir a arte

Estudo (2003) em pastel para o quadro "Colonato di San Pietro". Por Tamara Nowascky

Muitos ao ver uma obra de arte se preocupam sobre como devem olhá-la, o que devem pensar, e como devem analisá-la. Se tensionam com pensamentos baseados naquilo que outros já disseram a respeito, ou por fórmulas de análise, e acabam deixando de sentí-la.

Sentir uma obra de arte verdadeira é sentir o espírito do artista que a fez. O sentimento traz profundidade, traz realidade, traz o que importa realmente, a essência da obra.

Com o sentimento presente, recebemos a mensagem que o artista apresenta através da obra. Nos conectamos com ele e intuitivamente sentimos suas intenções.

Sentir é não se prender à forma, não se deixar levar por ela, e sim se concentrar no sentimento, naquilo que o coração está manifestando.

A obra feita com o coração tem o poder de passar a identidade do artista, seus valores, suas crenças e suas intenções mais profundas – que ficam magicamente na obra e são captadas inconscientemente pelas pessoas que a apreciam. Isso torna a contemplação rica e profunda, pois o espírito da obra é sentido pelo fruidor.

Por isso, para desfrutar plenamente da arte, solte a mente e abra o coração. Permita-se ser tocado pela obra.

 

 

Estudo (2003) em pastel para o quadro "Colonato di San Pietro". Por Tamara Nowascky

Muitos ao ver uma obra de arte se preocupam sobre como devem olhá-la, o que devem pensar, e como devem analisá-la. Se tensionam com pensamentos baseados naquilo que outros já disseram a respeito, ou por fórmulas de análise, e acabam deixando de sentí-la.

Sentir uma obra de arte verdadeira é sentir o espírito do artista que a fez. O sentimento traz profundidade, traz realidade, traz o que importa realmente, a essência da obra.

Com o sentimento presente, recebemos a mensagem que o artista apresenta através da obra. Nos conectamos com ele e intuitivamente sentimos suas intenções.

Sentir é não se prender à forma, não se deixar levar por ela, e sim se concentrar no sentimento, naquilo que o coração está manifestando.

A obra feita com o coração tem o poder de passar a identidade do artista, seus valores, suas crenças e suas intenções mais profundas – que ficam magicamente na obra e são captadas inconscientemente pelas pessoas que a apreciam. Isso torna a contemplação rica e profunda, pois o espírito da obra é sentido pelo fruidor.

Por isso, para desfrutar plenamente da arte, solte a mente e abra o coração. Permita-se ser tocado pela obra.